4/2/2009 -Economia
Queda histórica na produção industrial do país
A indústria brasileira sofreu em dezembro do ano passado a queda mais acentuada da produção já registrada, reflexo da retração da demanda e da resposta imediata das fábricas para tentar contornar os efeitos do agravamento da crise financeira mundial.
As indústrias instaladas no país amargaram uma queda de 12,4% na produção de dezembro ante novembro, a mais acentuada da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciada em 1991.
No último trimestre de 2008, o desempenho industrial ficou 9,4% abaixo do registrado nos três meses anteriores, acrescentou o IBGE.
"Os resultados de dezembro confirmam o cenário de demissões e queda da produção anunciado pelas empresas no fim do ano passado", afirmou Isabel Nunes, economista do IBGE.
Na comparação com dezembro de 2007, o quadro também mostra uma forte deterioração do setor. "A queda na produção foi de 14,5%, menor marca de toda a série histórica", informou o IBGE.
Os dados vieram bem piores do que as projeções feitas por analistas consultados pela Reuters. De acordo com o levantamento, os analistas esperavam uma queda mensal de 6,6% e um recuo de 9,0% na comparação com dezembro do ano anterior.
"A redução de 12,4% observada na passagem de novembro para dezembro de 2008 foi a mais acentuada da série histórica e levou o patamar de produção ao nível observado em março de 2004", afirmou o IBGE em nota.
"Foi pior, muito pior do que o imaginado... Foi um verdadeiro tombo", afirmou a Rosenberg & Associados em relatório para clientes.
Freio nas montadoras
A indústria de veículos, que amargou um tombo de 39,7%, foi o principal impacto no índice global do setor.
Avaliando por categoria, a produção de bens duráveis despencou 34,3% em dezembro, enquanto os bens de capital recuaram 22,2%, recorde em ambos os casos.
Na comparação com dezembro de 2007, a produção da indústria automotiva ficou 59,1% menor. As indústrias de materiais eletrônicos e equipamentos de comunicação sofreram uma retração de 60,3%.
"A crise continua e os resultados já disponíveis mostram que há melhora em veículos, mas ainda com confiança deteriorada de consumidores e empresários", afirmou Isabela Nunes.
O cenário que se apresenta com os números do IBGE reforça as expectativas de continuidade do ciclo de corte da taxa básica de juro, iniciado em janeiro pelo Banco Central.
"Os dados revelam que o setor industrial respondeu aos efeitos do acirramento da crise internacional rápida e profundamente e, além disso, a amplitude da queda, muito além do esperado, abre mais espaço para cortes da taxa básica de juro", afirmou o Santander em relatório para clientes.
No mercado de juros futuros, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2010 operavam em baixa, apontando juro de 11,03%. Esse contrato embute as apostas dos analistas para o patamar da taxa básica, a Selic, ao final de 2009.
Na véspera, pesquisa semanal do BC mostrou que as projeções para a Selic em dezembro apontam taxa de 10,75%. Atualmente, o juro está em 12,75% ao ano.
Expansão pela metade
Em 2008, como um todo, a produção industrial acumulou alta de 3,1%, ante avanço de 6,0% em 2007. Analistas esperavam um crescimento de 3,6%, de acordo com a pesquisa feita pela Reuters.
"Em síntese, a mudança do quadro macroeconômico a partir de setembro teve efeito imediato sobre a atividade industrial", afirmou o IBGE.
Para os técnicos do instituto, a análise sobre o comportamento da indústria em 2008, a partir dos índices de média móvel trimestral, mostra duas fases bem distintas. A primeira mostra uma elevação generalizada do nível de produção, seguida por outra, a partir de outubro do ano passado, de "significativa queda na produção global".
"O quarto trimestre de 2008 frente ao trimestre anterior, com recuo de 9,4%, interrompe sequência de doze trimestres consecutivos de crescimento, período que o setor industrial acumulou 16,5%, apontando para uma reversão em curto espaço de tempo", afirmou o IBGE.
Autor: HSM
Fonte: Reuters