6/2/2009 -Economia
Brasil pode sair fortalecido
Apesar de estar definitivamente sofrendo os efeitos da crise financeira mundial, o Brasil ainda pode sair deste momento fortalecido. A avaliação é de Alcides Leite, economista e professor da Trevisan Escola de Negócios. "Diante do cenário, acho que a gente pode se sair bem dessa crise", afirma Leite, que participou, no último dia 27 de janeiro, de encontro para avaliar o atual momento econômico.
Ele explica que o Brasil deve ser menos afetado com a crise que outros países em desenvolvimento. Desta forma, mesmo registrando perdas, o país ainda sofrerá pouco em relação a outros países. "Às vezes a gente ganha quando os outros perdem mais do que nós", analisa.
Em suas projeções de cenário para 2009, Alcides Leite considera que a economia mundial terá um crescimento médio entre 1% e 1,5% ao final do ano, enquanto o Brasil veria seu PIB aumentar entre 2,5% e 3% no mesmo período.
Entre as justificativas para considerar que a economia brasileira está mais bem preparada para encarar a crise, Leite destaca que: as instituições financeiras do país são menos alavancadas (com a relação média de crédito equivalente a cinco vezes o patrimônio); o Índice de Basiléia brasileiro, que mede a relação entre o capital e o crédito ajustado ao risco, é alto (17,6%); há um baixo passivo em capital estrangeiro (11% do PIB); a participação de instituições estrangeiras no Sistema Financeiro Nacional é pequena (23%); o Brasil zerou sua dívida externa líquida (com US$ 207 bilhões em reservas ante US$ 200 bilhões em dívidas); há um baixo volume de crédito concedido (40% do PIB), além de um reduzido volume de crédito imobiliário (2% do PIB); a maior parte das operações bancárias é lastreada em títulos do governo, independendo de capitais externos; e há diversificação das exportações (com 60% destinadas a países em desenvolvimento e 40% às nações desenvolvidas).
"Essas são as razões que me levam a crer que o Brasil está menos exposto a esta tsunami", avalia o professor, referindo-se à crise internacional. "Acredito que 2009 será um período crítico, mas 2010 já deve apontar para a saída da crise, inclusive nos Estados Unidos. Quando a economia voltar a crescer, em 2010, 2011, o Brasil vai estar mais bem preparado para isso", conclui o economista.
Autor: HSM
Fonte: BDO Trevisan Auditores Independentes