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  • 31/8/2009 -Economia
    BRIC: desafios e oportunidades

    Empresários e acadêmicos discutem a visão dos países do BRIC e a gestão de pessoas em outros países.

    Neste mês de agosto foi realizado o Ciclo de Conferências Internacionais Five-Diamond, promovido pela Fundação Dom Cabral, em sua sede em Nova Lima (MG). Onde os palestrantes debateram sobre os desafios e oportunidades para empresas de países emergentes expandirem seus negócios com uma atuação global no cenário econômico pós-crise.

    Dipak Jain, da Kellog School of Management, conduziu o primeiro debate em que comentou que os países do BRIC ajudarão a recuperar a economia dos Estados Unidos, enfatizando as riquezas naturais de Rússia e Brasil e o potencial humano e industrial na Índia e China.

    Gustavo Grobocopatel, CEO do grupo argentino Los Grobo, defendeu a ideia do processo de gestão. O grupo terceiriza grande parte do seu sistema de trabalho e coordena as ações visando a otimização dos processos e a construção de parcerias sólidas, sendo essa uma tendência num cenário econômico globalizado. Ele acredita que o Brasil tem um enorme potencial em recursos naturais e vê como desafio para os países emergentes a grande competitividade e a integração da sustentabilidade ao modelo de negócio.

    Fábio Barbosa, CFO da Vale e diretor de relações com investidores, acredita que os países do BRIC já são uma potência e isso se reflete na participação de 22% no PIB global. Ele finaliza, destacando o Brasil como uma das grandes apostas dos países emergentes, pois conta com profissionais que se qualificam cada vez mais, recursos naturais em grande escala e escopo, além de uma cultura flexível, que permite a absorção de outras e a facilidade de relacionamento com empresas globalizadas.

    Ruben Vardanian, CEO da Troika Dialog e também da Moscow of Management Skolkovo, comentou que entrar em contato com a realidade desses países é o grande desafio para executivos de todo mundo e que só entendendo a cultura local é possível construir relações econômicas sólidas com empresas de países tão diferentes.

    Nessa mesma linha, Mark Cutifani, CEO da AngloGold, defende a ideia de que as pessoas são o elemento mais importante do negócio, e não apenas um ativo ou um ônus dentro da empresa. Cutifani falou também que um dos maiores desafios para as empresas no processo de globalização é a convivência com as diferentes culturas locais, considerada fundamental para o sucesso de qualquer organização fora do seu país de origem.

    Saber lidar com as variáveis, com os diversos aspectos culturais e econômicos é a forma mais bem sucedida de garantir o desempenho da empresa que está se internacionalizando ou mesmo daquela que já concluiu seu processo para garantir a sobrevivência dos negócios. O gestor que compreende as diferentes pressões de cada região e consegue transferir a cultura de um lugar para o outro é capaz de amenizar os dilemas éticos e culturais enfrentados quando insere sua subsidiária em outro país. Os executivos devem adequar a gestão de pessoas à gestão de seres humanos.

    As barreiras culturais são as mais delicadas do ponto de vista da gestão. Integrar a empresa e seus funcionários à cultura local e aos novos colaboradores envolve gestores que saibam gerir diferenças e mostrar o seu comprometimento com a estratégia e os negócios. Robbie Lazare, Vice Presidente do RH da AngloGold Ashanti, diz que “devemos ver a nós mesmos como visitantes daquele país, agregar e compreender seus valores”.

    Segundo Georges Blanc, professor da Fundação Dom Cabral, os líderes precisam entender a realidade da nova região e conhecer bem a estratégia da empresa já que eles devem organizar as relações entre a sede e sua subsidiária. Blanc acredita que o profissional de gestão deve proteger os valores locais, acima de tudo, respeitar a cultura além de trabalhar as pessoas para que elas mantenham o tráfico de informações entre as fronteiras. A boa gestão enxerga claramente os objetivos da instituição conseguindo atrair, reter e comprometer seus talentos.

    Para Carmen Migueles, professora da FDC, qualificar os jovens para serem integrados em diferentes sociedades proporciona maior êxito nesses processos. Carmem ressalta características de gestão ainda muito totalitárias de empresas brasileiras que precisam de lapidações para garantir mais sucesso em sua internacionalização. “Os gestores não devem enfrentar a cultura como um campo de batalha”, completa a professora, é preciso dar mais autonomia para que as pessoas possam cooperar e ajudar a empresa a colher bons resultados.

    Quando a empresa entende a cultura local sem querer mudá-la e confia na sua diversidade, conquista a aceitação e o engajamento daqueles que irão contribuir para o seu crescimento. Marcelo Paladino da Escola de Negócios IAE conclui que o espírito empreendedor e a integração social garantem bons frutos. O respeito aos valores locais, aos clientes e aos funcionários ajudam a definir um bom comportamento e um ótimo retorno à empresa e seus colaboradores.

    Autor: Fundação Dom Cabral

    Fonte: HSM

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