12/11/2009 -Economia
Investimento em varejo deve crescer em 2010
Pesquisa realizada recentemente pela Fecomercio com 300 empresas do segmento indica que empresários investirão 10% a mais do que este ano.
Uma pesquisa realizada pela Federação do Comercio do Estado de São Paulo com 300 empresas de São Paulo indica que os empresários do setor varejista vão investir mais em 2010. De acordo com a análise, 75% deles se mostraram mais otimistas e vão investir 10% a mais do que no ano passado, e essa tendência deve extrapolar o setor de varejo e contagiar a indústria, a partir do ano que vem, que deverá voltar a crescer após um ano muito ruim.
A análise apontou ainda que as opiniões estão divididas a respeito dos efeitos da redução do Imposto sobre os Produtos Industrializados (IPI) sobre a venda da linha branca. 50% dos entrevistados responderam que devem aumentar as vendas, mas 50% acreditam que se manterão iguais.
“A rigor, a redução do IPI é bem-vinda, mas certamente seus efeitos foram maiores sobre a venda de autos do que sobre a linha branca ou sobre materiais de construção”, analisa Fábio Pina, economista da Fecomercio.
A última pesquisa de conjuntura do varejo divulgada pela instituição mostrou que as vendas nas lojas de eletroeletrônicos e eletrodomésticos tiveram ligeira recuperação em agosto, mas permanecem no vermelho no acumulado do ano. Em agosto, o faturamento real cresceu 1,2% e o acumulado em oito meses soma -9,6%. Isso demonstra, segundo os economistas da Fecomercio, o efeito apenas parcial da redução do IPI sobre a linha branca.
Quanto às vendas para o primeiro Natal pós-crise, o setor varejista mostra-se otimista, mas ainda com certa reserva. De acordo com a análise, 33% dos empresários vão aumentar as encomendas para o Natal e 24% dos varejistas vão reduzir. Outros 44% estão fazendo encomendas iguais às do ano passado. Já em relação aos estoques, 39% dizem que será maior e 44% responderam que será igual ao do Natal do ano passado.
“Esses dados mostram um viés de alta para as encomendas de Natal, porém o varejo mantém cautela. Mesmo assim, o resultado geral é positivo, na mesma direção que o consumidor parece estar apontando nas pesquisas de intenção de compra e de confiança. Desse diálogo entre consumidor e empresários até o final do ano é que os ajustes de perspectivas serão feitos, de ambos os lados”, afirma o economista.
Mais de 65% dos empresários vão trabalhar com produtos direcionados à Classe C, enquanto 43% para a classe B e 24% para as classes D e E. Para trabalhar com produtos voltados principalmente à Classe C, os empresários vão alavancar suas vendas por meio de parcelamentos. Segundo a pesquisa, como se trata de capital próprio, a maioria das empresas (64%) vão oferecer parcelamento em três vezes sem juros. Já 37% vão oferecer mais de três vezes, com pouco envolvimento de financiamento tradicional (via banco ou financeira vinculada à loja).
Segundo Pina, a maioria das empresas mira nas classes B e C, não por coincidência. O público A é muito restrito e poucas empresas podem se dar ao luxo de trabalhar apenas para esse nicho. Do outro lado estão as classes D e E, com rendas médias ainda muito baixas, o que inviabiliza um volume de negócios muito grande, ainda que o contingente populacional seja elevado. Desta forma, trabalhar as camadas do meio da população é a estratégia vigente de grande parte das empresas. Evidentemente, com o desenvolvimento do crédito e com o aumento gradual da renda, há uma migração de interesse para as faixas C e D.
Metodologia da análise
A pesquisa foi realizada com 300 empresas de São Paulo visando antecipar a percepção dos empresários com relação à temperatura da economia para os próximos meses, com ênfase nas perspectivas para o primeiro Natal pós crise. O levantamento foi direcionado para informações sobre as principais variáveis antecedentes específicas do Natal (encomendas, por exemplo), variáveis relativas à perspectiva para 2010 e variáveis relativas à atuação dos empresários em relação aos consumidores (parcelamento, público alvo, entre outras). A variação de 1% entre empresários que pretendem aumentar, reduzir ou manter as encomendas para o Natal deve-se a arredondamento de número. Em relação a produtos direcionados as classes A, B, C e E, os empresários responderam testes de múltipla escolha com direito a escolher mais de uma alternativa.
Autor: HSM Online
Fonte: HSM